Fundos de recebíveis
de bancos médios crescem 7 vezes
em um ano
Captações das instituições de
porte médio através dos fundos
de recebíveis cresceram sete
vezes em 2004. Os recursos são
usados para atender ao aumento
da demanda por empréstimos
Por Giuliana Napolitano
28.04.2005
EXAME Os
fundos de recebíveis são uma
alternativa de captação cada vez
mais usada pelos bancos de menor
porte. No ano passado,
instituições como BMG e Cruzeiro
do Sul arrecadaram 1,2 bilhão de
reais por meio desses fundos
volume sete vezes superior ao
registrado em 2003. Os recursos
são usados para atender ao
aumento da demanda por
empréstimos, principalmente por
meio do crédito consignado, com
desconto em folha de pagamento.
"É uma nova fonte de
financiamento que os bancos
encontraram para continuar
emprestando", diz Chuck
Spragins, sócio da consultoria
carioca
Uqbar, especializada em
finanças.
Ao contrário do que acontece com
os grandes bancos, como Bradesco
e Itaú, que captam boa parte dos
recursos que utilizam por meio
de depósitos feitos por seus
clientes, as instituições de
menor porte dependem basicamente
da emissão de Certificados de
Depósito Bancário (CDBs) para se
financiar. "O fundo de
recebíveis permite que esses
bancos diversifiquem suas fontes
de recursos", diz Francisco
Turra, sócio da Integral Trust,
empresa paulista que estrutura
esses fundos.
Diversificar tornou-se mais
importante depois da intervenção
do Banco Central no Banco
Santos, no ano passado. "A
demanda por CDBs de instituições
pequenas e médias desabou", diz
Spragins. A procura por fundos
de recebíveis, porém, não caiu.
A razão é simples. Essas
carteiras são formadas por
títulos de créditos que os
bancos têm a receber de seus
clientes, como pagamento pelos
empréstimos. Como boa parte da
carteira de crédito desses
bancos é formada por empréstimos
com desconto em folha, que têm
uma taxa de inadimplência muito
baixa, o risco de calote também
é pequeno. Por isso, o risco dos
fundos de recebíveis passou a
ser considerado menor que o dos
próprios bancos pelos
investidores.
Os recursos conseguidos por meio
desses fundos são usados para
ampliar a carteira de crédito
dos bancos. É o que vem fazendo
o Tribanco, instituição
financeira ligada ao Grupo
Martins, o maior atacadista
brasileiro. O principal negócio
do Tribanco é financiar os
clientes da rede de atacado.
"Para financiar mais clientes,
precisamos de mais recursos",
diz o diretor financeiro José
Mário Cury. Por isso, o banco
decidiu criar um fundo de
recebíveis de 100 milhões de
reais, que deve ser lançado nos
próximos meses.
Outra carteira que deve ser
lançada neste ano é a das
operadoras de planos de saúde. A
Agência Nacional de Saúde
Suplementar (ANS), órgão do
governo que regula o setor de
saúde, propôs às operadoras no
início de abril a criação de um
fundo conjunto de recebíveis,
lastreado no que as empresas têm
a receber de seus clientes. "A
idéia não é salvar empresas
insolventes, mas dar
alternativas de financiamento
àquelas que estão em boa
situação e podem honrar todos os
seus compromissos", diz Alfredo
Cardoso, diretor da ANS. Segundo
ele, a seleção das operadoras
poderia ser feita por meio de
uma agência internacional de
classificação. Resta saber se o
risco do investimento vai
compensar.
|